Minha pequena contribuição para a diluição da Homeopatia

Autor: Daniel Oliveira

Cresci sendo “tratado” com Homeopatia. Quer dizer, minha mãe não era daquelas pessoas que mergulham de cabeça em terapias alternativas, mas comprou parte do conceito vendido pelos homeopatas e me deu alguns preparados enquanto criança. Minha mãe está longe de ser a única. Quem não deseja tratar seus filhos com um medicamento “sem efeitos colaterais”, que “funciona de forma natural”, que “trata o indivíduo como um todo e não apenas seus sintomas”? As alegações são tão fortes e sedutoras que não é espanto que tanta gente procure na homeopatia a solução para seus problemas de saúde ou um complemento para tratamentos ditos convencionais. Espanto, ou espantoso, é o mecanismo pelo qual as preparações homeopáticas alegadamente funcionam: um mecanismo que contradiz praticamente tudo o que sabemos hoje em dia sobre Química, Física e Biologia, muito do que aprendemos nos últimos duzentos anos sobre ciência. Este artigo é sobre esses mecanismos.

História

Os principais conceitos da Homeopatia foram formulados há cerca de duzentos anos por um médico alemão chamado Christian Friedrich Samuel Hahnemann (1755-1843) [http://en.wikipedia.org/wiki/ Hahnemann], bastante “descontente com a medicina do seu tempo” que, segundo consta, havia abandonado a prática médica em 1789.

Realmente deviam ser tempos difíceis para a medicina. Por exemplo, ainda não se conhecia nada sobre a teoria dos germes – que introduziu conceitos básicos de higiene como lavar as mãos antes de procedimentos médicos! – e ainda não existiam antibióticos, muito menos anestesia. Era a época das sangrias, dos eméticos e dos purgantes – uma época onde medicamentos eram produzidos sem regulamentação, sem estudos clínicos que comprovassem sua eficácia e segurança. A medicina engatinhava como tecnologia e como ciência.

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