Informações básicas eventos 2011

No dia 5 de fevereiro de 2011, às 10h23, horário local, ativistas em várias cidades do país participarão da “overdose homeopática” coletiva para demonstras que a “Homeopatia É Feita de Nada“.

Cada um destes ativistas deve se responsabilizar por sua própria saúde e estar ciente das seguintes medidas de precaução:

  • Intolerância à lactose/diabetes – alguns participantes podem sofrer efeitos colaterais das pílulas, devido a condições pré-existentes. A quantidade de açúcar nos tabletes é bem pequena, em torno de uma colher de sopa, mas é bom checar e vetar voluntários por problemas em potenciais. É melhor prevenir do que remediar.
  • Homeopatia de verdade – no Reino Unido, a maior rede de farmácias vende estas pílulas de açúcar a diluições maiores que 12C. Outros países, como o Brasil, não têm tanta “sorte”. A diluições menores que 12C ou 24D (com números menores, como 5C ou 10D), ainda restam moléculas do ingrediente original, de forma que alguns homeopatas fornecem pílulas que de fato contêm ingredientes ativos como se fossem remédios homeopáticos. Minimize o risco usando pílulas “dinamizadas” de 30c ou mais. Acima de tudo, investigue e analise as pílulas de antemão. Se você não pode estar 100% seguro de que elas são seguras, NÃO ARRISQUE. Organizadores e consultores aqui no Brasil estão investigando e analisando o risco de produtos disponíveis comercialmente. Se você puder encomendar um produto manipulado de forma confiável, nas diluições seguras de 30C ou mais, dê preferência a tal preparado.

Cada núcleo precisará de:

  • Organizador – alguém que administre o evento, localize voluntários, e conecte-se com o HQ 10:23.
  • Cinegrafista/uploader – no dia, para máximo impacto, indique alguém para filmar o evento. Fotos são boas, vídeo é muito melhor. Assim que o evento terminar, ou assim que possível, faça upload dos vídeos ao Youtube (com a tag ten23 e homeopathy / homeopatia) e as fotos ao Flickr (com a tag ten23). Elas serão automaticamente exibidas no site 10:23, onde os ajudaremos a divulgá-las e promovê-las, assim como adicioná-las ao nosso evento 10:23.
  • Porta-voz – alguém familiar com a mensagem da campanha, confortável em falar com jornalistas antes e durante o evento. Esta pode ser a mesma pessoa que assumir uma das funções acima, mas idealmente seria uma terceira pessoa, para ajudar a distribuir o trabalho.
  • Voluntários – Organizador: o mais importante é que o número de voluntários seja administrável. Acima de tudo, ajude a garantir a segurança de cada voluntário, e na dúvida, NÃO ARRISQUE. Já possuímos diversos voluntários em várias cidades do país, caso um voluntário esteja inseguro ou pareça inseguro, agradeça o apoio e desencoraje-o de participar da “overdose”. A mera presença e apoio durante o evento já será importante e uma valiosa contribuição para a campanha.

Na hora programada, às 10h23, a “overdose” é realizada, filmada, fotografada e (idealmente) logo depois mensagens são enviadas ao twitter, facebook, Orkut pelos voluntários e apoiadores. Também gostaríamos que o organizador ou porta-voz fale para a câmera, incluindo o seguinte: “Nós somos a Campanha 10:23. Homeopatia: É FEITA DE NADA!”, possivelmente também em ingles, “We are the 10:23 Campaign. Homeopathy: THERE’S NOTHING IN IT!”. Idealmente, a mídia local ou nacional estará presente.

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LOCAIS E ORGANIZADORES

São Paulo – SP

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Porto Alegre – RS

  • Organizador: Eli Vieira Júnior ([email protected])
  • Local: Casa de Cultura Mário Quintana, a partir das 9h30

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Natal – RN

  • Organizador: Igor Santos ()
  • Local: A definir

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Ribeirão Preto – SP

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Rio de Janeiro – RJ

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Piracicaba – SP

  • Local: Praça José Bonifácio, 700 às 10h23

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Press Release

Consumidores brasileiros simulam “overdose homeopática”

Grupos de ativistas pelo país anunciaram hoje que pretendem tomar uma “overdose homeopática” no início do próximo mês como forma de participar de um protesto global contra estes tipos de remédios.

Os participantes em cidades como São Paulo, Natal e Porto Alegre tomarão caixas inteiras de pílulas homeopáticas no dia 5 de fevereiro de 2011 a fim de atrair a atenção do público para o fato de que os ditos “remédios” homeopáticos são inertes – e também como forma de pressionar farmácias e médicos a vender e prescrever apenas medicamentos que de fato funcionem.

Kentaro Mori, participante da iniciativa no Brasil, comenta:

“A maioria das pessoas pensa que remédios homeopáticos são o mesmo que fitoterápicos e outros remédios ‘naturais’, mas a homeopatia em si é particularmente diferente. Os próprios homeopatas concordam que suas pílulas e preparações homeopáticas mais ‘potentes’, por princípio, não devem conter nada além de água e açúcar. Participaremos do protesto para ajudar a mostrar como esses ‘remédios’ são inúteis. Médicos não deveriam recomendar e farmácias não poderiam vender pílulas de puro açúcar para pessoas que estão genuinamente doentes”.

A demonstração está sendo organizada como parte da campanha 10:23 [1], um protesto global contra a homeopatia que teve início no Reino Unido. Eventos semelhantes acontecerão em dezenas de países ao redor do planeta, com manifestações anunciadas na Inglaterra, Alemanha, Hungria, Austrália e Canadá.

Michael Marshall, coordenador da campanha internacional, explica:

“Nossa intenção é mostrar que existe uma conscientização crescente em todo o mundo do quanto já foi desperdiçado em homeopatia, tanto em tempo quanto em dinheiro. Nos duzentos anos em que esses tratamentos existem, nunca houve uma só evidência de que eles funcionem. E sendo nada além de água e açúcar, é de fato impossível que eles funcionem para qualquer uma das coisas alegadas pelos homeopatas. Dezenas de bilhões de dólares são gastos todos os anos ao redor do mundo nesses remédios ineficazes e, quando se explica do que realmente se tratam e como são feitos, a maioria das pessoas se choca e não acredita que esses tratamentos inúteis continuam a ser vendidos para o público incauto”.

A campanha 10:23 foi lançada há um ano no Reino Unido, onde quase 400 participantes tomaram uma “overdose” em eventos semelhantes ao redor do país após uma das maiores cadeias de farmácias britânicas admitir que vendia as tais pílulas “porque os consumidores compram e não porque elas funcionam” [2]. A campanha foi batizada em homenagem ao número de Avogadro [3], uma constante científica que pode ser usada para demonstrar que preparações homeopáticas podem não conter absolutamente qualquer resquício de ingrediente ativo.

Alguns podem pensar que pílulas de açúcar não fazem mal algum, no entanto o apoio dado às preparações homeopáticas por farmácias e médicos traz consequências sérias. Além de diminuir a confiança do público na ciência médica baseada em evidências, pode fazer com que pacientes com doenças graves que acreditam na homeopatia evitem procurar tratamento médico de verdade para tratar dos seus casos e com isso percam um tempo precioso. Isso pode custar suas vidas.

Uma investigação da BBC em janeiro de 2011 revelou que homeopatas estão dispostos a dar preparações totalmente ineficazes contra malária a seus clientes que pretendem viajar [4] além de alternativas completamente inúteis à vacinas [5]. No Brasil homeopatas chegam mesmo a receitar e vender remédios que supostamente preveniriam a dengue, uma das doenças que mais matam no país.

A Campanha 10:23 está organizando protestos em mais de vinte e três cidades espalhadas por mais de dez países no dia 5 de fevereiro de 2011.

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Notas para o editor:

[1] A Campanha 10:23 é uma rede de grupos céticos e racionalistas que deseja mostrar ao grande público a realidade por trás da homeopatia, como sabemos que não funciona e por que é importante que pacientes recebam informação correta e de qualidade para que possam tomar decisões informadas sobre sua saúde. http://www.1023.org.uk/ – [Material em português em http://1023.haaan.com/]

[2] http://www.dailymail.co.uk/news/article-1230925/Boots-sells-homeopathic-remedies-theyre-popular-work.html

[3] http://en.wikipedia.org/wiki/Avogadro_constant

[4] http://news.bbc.co.uk/1/hi/programmes/newsnight/9341713.stm

[5] http://www.bbc.co.uk/news/health-11280578

Contatos locais:

Kentaro Mori (São Paulo – SP) / [email protected] /

Daniel Sottomaior (São Paulo – SP) / [email protected] /

Eli Vieira (Porto Alegre – RS) / [email protected] /

Igor Santos (Natal – RN) / [email protected] /

Contato internacional:

Michael Marshall / [email protected] / +44 7841 134 309

Logotipo da Campanha

O Físico e a Pororoca

José Colucci Jr. (*)

É notória a má-vontade dos especialistas para com os jornalistas que se encarregam da divulgação científica. É comum rotularem-se de superficiais as matérias sobre ciência e tecnologia, e de inconseqüentes as sobre medicina e saúde. O que dizer, no entanto, de matéria como a que publicou A Folha de S.Paulo (8/2/01) sobre a homeopatia? A repórter que a assina usou dados da associação máxima da especialidade, consultou profissionais credenciados e ouviu o relato de empresas e pacientes em apoio à homeopatia. O que faz o leitor crítico diante desta e de muitas outras reportagens sobre a medicina dita alternativa? É fácil acusar de levianas matérias que divulguem terapias obscurantistas e carentes de valor científico, mas o que dizer da que promove uma especialidade médica que tem a benção do Conselho Federal de Medicina e da Associação Médica Brasileira, é utilizada na rede pública, conta com 15 mil profissionais cadastrados no país e ganha adeptos a cada dia?

Pedir que a imprensa seja mais responsável do que as duas entidades oficiais citadas seria ingênuo, mas não descabido. Quando os interesses mercadológicos de uma categoria falam mais alto do que o interesse público, a imprensa deveria ser a primeira denunciá-los – porque só interesses mercadológicos explicam o reconhecimento oficial da homeopatia. Se a homeopatia estiver certa, e existir no universo um princípio cujo efeito seja maior quanto mais diluído esteja, estão erradas a química, a física e a medicina modernas. No resto deste artigo, convido o leitor que não esteja disposto a abandonar as conquistas do pensamento científico a considerar as bases físicas da homeopatia.

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