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Homeopatia em debate | Desafio 10:23

Homeopatia em debate

Fonte: Trecho retirado do texto “Ciência Versus Alternativismo – As Fronteiras entre a Medicina Alternativa e a Tradicional”.

Fica evidente a falta de consenso entre médicos alternativos e tradicionais. Isaias Raw, professor emérito da Faculdade de Medicina da USP e presidente da Fundação Butantan, faz questão de frisar que a homeopatia não tem comprovação científica e que sua ação não pode ser explicada a partir dos princípios da bioquímica. Por outro lado, Luiz Antônio Silva de Freitas, ex-presidente do Departamento de Homeopatia da Associação Paulista de Medicina, diz que a homeopatia é comprovada na prática, na cura de pacientes ao longo dos últimos 200 anos. A base da teoria homeopática é o princípio da semelhança. Para desenvolver um remédio homeopático para gastrite, por exemplo, são testadas substâncias em pessoas sadias até que uma delas provoque a irritação no estômago. Essa substância será então bastante diluída em água e álcool, até dar origem a um remédio que acirre os sintomas e faça o corpo combater o mal.

Para Raw, a solução homeopática, é apenas água, com mais ou menos poeira. “Não é possível fazer pesquisa científica sem uma metodologia cuidadosamente documentada. É preciso fazer teste com duplo cego, escrever os resultados, submeter a uma revista internacional, retestar em outro lugar, por outro pesquisador. Fora disso, é ‘palpitometria’. A homeopatia não tem nenhuma base científica. Eles acreditam que um remédio pode produzir os mesmos efeitos que a doença e assim curar o paciente. Os remédios homeopáticos são tão diluídos que viram água. Qual a lógica de um medicamento que, quanto menos você dá, mais eficaz ele fica? É água, com mais ou menos poeira, mais ou menos mexida”, completa.

No entanto, Luiz Freitas afirma que a homeopatia pode não ter substâncias químicas, mas funciona. “Eu também acredito naquilo que é demonstrável, comprovável, mas trabalho com resultados, não com teorias. Lamento que a medicina seja vista apenas como bioquímica. Se tudo tem que ser feito a partir do duplo cego, eu acho que a gente corre um risco muito grande de estar próximo a uma ditadura científica, muito mais do que a uma abertura. É preciso que a gente tente outras formas”. Para Freitas, os conhecimentos homeopáticos vieram para somar, não é um conhecimento contra outro. Ou seja, existe uma complementaridade entre alopatia e homeopatia. A medicina antroposófica, que se preocupa com o ser humano como um todo, não tem o menor problema em usar alopatia, homeopatia e também fitoterapia. “É preciso apresentar essas opções ao paciente. Mas doenças agudas requerem intervenção química. Se chegar um sujeito com AVC, não vou ficar contemporizando, uso um corticóide. Mas o que não se fala é da capacidade da indústria farmacêutica em inventar sintomas, doenças, para vender mais remédio”, ressalta.

Em meio a tanta polêmica, Pedro Paulo Roque Monteleone, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, opina: “Concordo que há um excesso de medicamentação. O indivíduo está com febre, o médico dá dipirona ou um ácido acetilsalicílico. Provavelmente os que nada tomaram também abaixaram a temperatura. A coisa mais difícil para o médico é saber se o indivíduo melhorou por causa do remédio, se melhoraria mesmo que não tivesse o remédio ou até se melhorou apesar do remédio. Esse é um fato”.

Nota do Editor: Essa mesma frase utilizada no final da fala do presidente do CRM-SP, que em princípio pode parecer uma crítica apenas à medicina convencional, pode ser mirada diretamente para o que relata o ex-presidente do Departamente de Homeopatia da Associação Paulista de Medicina, com a alegação de “cura de pacientes nos últimos 200 anos”.

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